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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Blogue de protesto

Os alunos da UCS criaram um blogue pra manter a sociedade informada sobre as manifestações feitas em Caxias contra a decisão do STF. Além disso, a proposta é apontar alternativas pra regulamentação da profissão de jornalista.
Clique aqui pra acessar.
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segunda-feira, 15 de junho de 2009

Jornalismo socialmente comprometido*

Na semana passada, o jornalista José Arbex Junior esteve em Caxias. Em palestra na UCS, apresentou um panorama da comunicação no Brasil, dando ênfase pra leitura que fazemos (ou não) das notícias.
O jornalista acredita que hoje há uma manipulação do imaginário popular, com a utilização de recursos do entretenimento na composição dos noticiários, especialmente os da televisão. Segundo ele, é nos telejornais que a realidade do povo é mascarada, com a desvalorização do cotidiano popular e priorização de discursos que prezam pelo desenvolvimento econômico e social de poucos. Isso tem relação direta com a “estética da barbárie”, tratada em outra postagem recente, aqui no blogue.
Outra questão interessante, na palestra de Arbex, diz respeito à atual programação da tevê brasileira. Afinal, a tevê realmente mostra o que o povo quer ver? Arbex tem tranqüilidade ao afirmar que há uma cumplicidade nessa relação. A tevê mostra, sim, o que o povo quer ver, pra não perder audiência. No entanto, ela tem uma matriz ideológica que define o que vai ou não ser pauta. Nesse momento, a questão econômico-financeira da empresa de comunicação vai determinar o rumo de qualquer reportagem.
O maior problema, pra Arbex, é definido por outra pergunta: “por que o público não contesta essa programação?”. A resposta, segundo ele, parece estar relacionada à consciência e à formação pessoal de cada sujeito, que não vai deixar de assistir algo que dá prazer, ou buscar algo que não lhe alegra ou sacia.
Arbex exemplifica o caso ao dizer: “o meu compromisso é ter casa, família e carro na garagem? Tudo bem, a tevê responde a isso”. Acontece que compromisso social é (ou, pelos menos, deveria ser) algo bem mais amplo que isso, e passa pela necessidade de envolvimento com outros sujeitos, pra o crescimento coletivo de todos.

* Parabéns ao professor Paulo Ribeiro, do jornalismo da UCS, pelo esforço empenhado pra trazer Arbex à Caxias.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Jornalismo suado

O clima em Blumenau esteve agradável na sexta de manhã. Mais uma vez, cortamos a cidade usando dois ônibus; algo em torno de 45 minutos, como nos dias anteriores. O povo daqui é bastante simpático. Na parada de ônibus, antes das oito da manhã, uma jovem mulher já dava bom dia pra dois jovens estudantes que ela nunca tinha visto antes. Até ficamos felizes (será que suados de nervosismo?). Mas, foi só no momento, porque confirmamos a lenda que o povo blumenauense é simpático assim mesmo, sem segundas intenções hehehe
Na FURB, José Marques de Melo falou sobre políticas públicas de comunicação na sociedade digital. O professor afirmou que hoje não basta a universalização do acesso aos meios de comunicação digitais; o que precisa mesmo é inclusão social a partir e através destes. Além disso, destacou a grande relação que há entre comunicação, educação e cultura, dizendo que estas fazem parte das necessidades da sociedade pra “próxima era”. Disse também que a nova geração de jornalistas precisa suar a camisa e ser mais comprometida com os problemas (inclusive cognitivos) da sociedade.
À tarde, mais apresentação de trabalhos. Um dos destaques no grupo de trabalho Jornalismo tratou a "estética da barbárie" dos telejornais brasileiros. Segundo a estudante Karina Aurora Dacol, da UFSM, hoje há uma subrepresentação da pobreza nos telejornais, o que faz com que a comunidade (freqüentemente favelas) seja sempre mostrada como violenta e criminosa. Ainda segundo a estudante, há uma desvalorização do sofrimento desses moradores, pois nem mesmo os nomes dos mortos da favela são dados nas notícias; diferente do que acontece com policiais ou autoridades envolvidas na mesma reportagem.
Mas, o trabalho da Karina não deixou ninguém pra baixo, não. Ao contrário, fez surgir uma grande discussão entre alguns estudantes e deu força pra enfrentar a noite. Mais tarde, a Flávia e a Noele, colegas de jornalismo da UCS, participaram comigo da oficina de escrita criativa, ministrada pela professora Marilde Sievert, da FURB. Ela reforçou algo que sempre é dito pelo professor Paulo Ribeiro, da UCS: “jornalismo não é inspiração”. Paulo vai além, aqui em Caxias, dizendo que “é transpiração”. Pobres jornalistas suados... hahaha

PS: sempre há aqueles jornalistas que, como dizem os gaúchos, “se acham”, né. Pra esses, o professor Marques de Melo disse: “a sociedade digital faz com que o jornalista desça do salto alto, pois exige que o espaço democrático seja aberto e, ainda, que o jornalista ouça a comunidade”. Tá loco, tchê!! Essa serviu pra muitos.

Blumenau, SC. Sábado, 30 de maio.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

O dia do estudo e do chope



A conferência de abertura tratou o tema Excelência e Inovação na Comunicação. A idéia era dar abertura aos trabalhos do congresso e falar da importância das novas mídias digitais. Como o auditório era pequeno e chegamos em cima da hora, assistimos à conferência em um telão, instalado noutra sala. Não fazia uma hora que estávamos lá e alguns grupos começaram com conversas paralelas, talvez porque a atividade não estivesse muito agradável – o palestrante falou das novas formas de persuadir pessoas e transformá-las em potenciais consumidores. Ao final, parece que poucos aproveitaram alguma coisa.
O rio Itajaí, aquele que transbordou e provocou a enchente de novembro, corta também o campus da FURB. Muitas pessoas perceberam isso não pela visão, mas pelo mau cheiro que toma a universidade em alguns pontos. À tarde, as apresentações de trabalhos científicos deram ao congresso o ritmo esperado por muitos. Alguns trabalhos se destacaram, não só pela temática apresentada, mas pelo entusiasmo dos apresentadores. No grupo de trabalho Comunicação Multimídia, do Intercom Júnior, destaque para trabalhos sobre podcasts, narrativa transmidiática e homogeneização cultural.
Pra fechar o dia, nada melhor que uma festa. Foi nesse clima que os moradores de Blumenau receberam mais de mil participantes do Congresso na Vila Germânica, pro lançamento da 26ª Oktoberfest. A noite foi embalada por muita música (chamada alemã, mas meio brega), regada a chope (chamado alemão e muito bom!) e muitas gargalhadas, principalmente do grupo da UCS. Foi também um momento interessante pra partilhar a vida, festejar mesmo, e conhecer um pouco mais os colegas e os professores ...

Blumenau, SC. Sexta-feira, 29 de maio.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

X Intercom Sul

De 28 a 30 de maio acontece o X Congresso Regional Intercom Sul, em Blumenau/SC. O evento propõe discutir assuntos da área da comunicação e, nessa edição, tem como tema Comunicação, educação e cultura na era digital.
Um grupo de alunos e professores da comunicação da UCS vai estar lá. Em breve, traremos mais informações sobre o evento aqui no blogue.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

A cegueira no Brasil

Criticar a sociedade do século 21, a partir de uma situação hipotética ocorrida num passado não muito distante. A meu ver, é disso que trata o filme Ensaio sobre a cegueira. A obra é magnífica, do ponto de vista de quem procura ali uma análise da sociedade atual.
O filme mostra a história de uma cidade que vive uma epidemia de cegueira. Os cegos são enclausurados num prédio, que não tem condições de abrigar as centenas de pessoas que foram enviadas pra lá. Não há, em nenhum momento, proteção dos governantes que se preocuparam apenas em isolar os “doentes”. No filme, a única intervenção do governo se dá com o envio de alimentos (limitados) e a segurança (ou isolamento) do local. As pessoas ficam ali esquecidas, como se fossem, além de cegos, invisíveis.
O filme leva o espectador brasileiro a lembrar a situação de segregação que acontece hoje no Rio de Janeiro*. Além disso, Ensaio sobre a Cegueira joga com sentimentos que vão além do amor e ódio: gratidão, asco e medo são apenas alguns deles. É interessante ver que na nova “moradia”, as pessoas são obrigadas a viver o coletivo. Algo difícil de se pensar hoje, quando vivemos com grande incentivo ao individualismo.
Não li a obra de Saramago, na qual o filme se inspira, mas fiquei com vontade, porque os sentimentos que o filme proporciona devem ser ainda mais aguçados com a leitura do livro. Mas, com o filme, já vale a reflexão: quem são os invisíveis de hoje no Brasil? Quem são os que ficam isolados, esquecidos, sem condição nenhuma de progredir? Quem são aqueles que sequer são ouvidos?

* "Seja na cidade do Rio, em Duque de Caxias, em Macaé etc, o discurso do choque de ordem bota abaixo sem discussão a história, a cultura, a vida das pessoas, antes que se possa argumentar com a lógica, com o bom senso. Exatamente o que fazia a ideologia do nazi-fascismo. Parece exagero, mas esse discurso – e sua prática sumária – é uma prima de primeiro grau dos linchamentos de mendigos, da queima de índios nos pontos de ônibus, das surras em prostitutas na madrugada. Tudo em nome da “ordem”, da “limpeza” das ruas, do “ordenamento”, da “organização”, da assepsia, do “bom visual”. [...]
Porque afinal de contas, essa política também é extremamente covarde: primeiro baixamos o cacete nos informais, nos malditos camelôs, nos biscateiros ilegais que atravancam o progresso do país... Depois, se der tempo, podemos desconcentrar a renda, fazer reforma agrária, prender os corruptos e fazê-los devolver o dinheiro, essas coisas. Depois. Agora não. O valente só é valente em relação ao mais fraco. Qualé, choque?..."
(trecho de texto publicado em março, no portal Overmundo)

* Sobre o assunto, ver também portal Inverta
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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Quando o essencial fica em segundo plano

Hoje, muitas pessoas no mundo todo dizem que o caso da escocesa Susan Boyle, o mais novo fenômeno midiático, é um exemplo de que "as aparências enganam". No entanto, o que engana mesmo é a falsidade humana e a sua capacidade de ser hipócrita o bastante a julgar pelas aparências. Não deveria o ser humano ser tão cretino a ponto de acreditar que somente os chamados "belos" são altamente capazes de realizar grandes façanhas.
Em crônica publicada no fim do mês de abril, no diário Correio do Povo, o jornalista gaúcho Juremir Machado analisa o caso de Susan Boyle e questiona a inversão de valores da sociedade atual. Como Susan é feia, do ponto de vista estético padrão, foi inicialmente rechaçada pela opinião pública que lotava o auditório no qual um programa musical estava sendo gravado, no Reino Unido.
As pessoas colocaram em primeiro lugar a análise fútil do ser humano, aquela mesma que muitos fazem no dia-a-dia, valorizando mais a roupa ou o cabelo, ao invés do conteúdo de cada pessoa.
Diferente do que afirma Juremir, é possível acreditar que o povo brasileiro não é tão "evoluído" assim. Pra ele, o fato de a TV brasileira ter pessoas "gordas" e "feias" (Raul Gil, Hebe Camargo, Gugu) mostra o lado humano dos brasileiros. No entanto, o jornalista esqueceu de citar que Xuxa, Angélica, Luciano Huck e Eliana, são "belos", também fazem sucesso e não têm tanto conteúdo.
Aliás, os que Juremir chama de "gordos" e "feios" são os mesmos que na sua programação distribuem prêmios, casas, cestas básicas e afins, com o objetivo de conquistar a audiência, porque conteúdo também não têm. Então, todos são competentes o bastante pra promover ainda mais a exclusão social, ao invés de oferecer formação pra cidadania.
Aos olhos de quem é preconceituoso, Susan Boyle tem "uma qualidade": ela canta bem; aos olhos de quem aposta na força humana, independente da beleza estética, ela é um ser humano completo, cheio de vida e potencialidades, capaz de transformar tudo o que está à sua volta, assim como todos o são. Essa é a mesma mensagem trazida por Antoine de Saint-Exupéry, na obra O Pequeno Príncipe, quando diz que "o essencial é invisível aos olhos".

terça-feira, 5 de maio de 2009

Ops!

Diferente do que informei na postagem anterior, a Lei de Imprensa é de 1967.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Comunicação é direito de todos

Os meios de comunicação eletrônicos (rádio e televisão) são um serviço público. Por isso (é importante que todos saibam!), não tem donos, mas são concessões temporárias. Essas permissões podem ou não ser renovadas pelo Poder Público, após determinado período.
Como todo serviço público, os meios de comunicação também deveriam estar a serviço da população brasileira, nesse caso, com a oferta de programação de qualidade. Além disso, deveriam ser abertos à participação popular, pois todos têm o direito de se expressar através desses serviços.
Em contraponto a essa definição, o que se vê hoje é uma mídia que tem o poder de selecionar e criar suas pautas, podendo, assim, incluir na programação apenas aquilo que lhe interessa. Mas, será que essa programação é mesmo aquela que a população quer ver? Numa dessas manhãs de outono discutíamos na universidade esse problema e não chegamos a nenhuma definição. O que sei é que a comunicação é um direito humano e dela todos devemos nos beneficiar. Com ela, devemos (deveríamos, pelo menos) ter crescimento e aprendizagem.
Penso nessas questões após ver revogada a Lei de Imprensa, que perdurava desde 1969, e depois ter assistido ao vídeo A revolução não será televisionada. Essa produção irlandesa mostra a participação da mídia na frustrada tentativa de golpe na Venezuela em abril de 2002.
Por fim, penso que é preciso ficar atentos à comunicação no País e fazer dela um pilar para o crescimento e desenvolvimento da sociedade, independente dos interesses pessoais dos políticos, dos empresários, dos malandros, dos bundões, ... Mas, isso é assunto pra outra postagem.

Fórum Social Mundial 2009

Fórum Mundial Mídia Livre