O clima em Blumenau esteve agradável na sexta de manhã. Mais uma vez, cortamos a cidade usando dois ônibus; algo em torno de 45 minutos, como nos dias anteriores. O povo daqui é bastante simpático. Na parada de ônibus, antes das oito da manhã, uma jovem mulher já dava bom dia pra dois jovens estudantes que ela nunca tinha visto antes. Até ficamos felizes (será que suados de nervosismo?). Mas, foi só no momento, porque confirmamos a lenda que o povo blumenauense é simpático assim mesmo, sem segundas intenções hehehe
Na FURB, José Marques de Melo falou sobre políticas públicas de comunicação na sociedade digital. O professor afirmou que hoje não basta a universalização do acesso aos meios de comunicação digitais; o que precisa mesmo é inclusão social a partir e através destes. Além disso, destacou a grande relação que há entre comunicação, educação e cultura, dizendo que estas fazem parte das necessidades da sociedade pra “próxima era”. Disse também que a nova geração de jornalistas precisa suar a camisa e ser mais comprometida com os problemas (inclusive cognitivos) da sociedade.
À tarde, mais apresentação de trabalhos. Um dos destaques no grupo de trabalho Jornalismo tratou a "estética da barbárie" dos telejornais brasileiros. Segundo a estudante Karina Aurora Dacol, da UFSM, hoje há uma subrepresentação da pobreza nos telejornais, o que faz com que a comunidade (freqüentemente favelas) seja sempre mostrada como violenta e criminosa. Ainda segundo a estudante, há uma desvalorização do sofrimento desses moradores, pois nem mesmo os nomes dos mortos da favela são dados nas notícias; diferente do que acontece com policiais ou autoridades envolvidas na mesma reportagem.
Mas, o trabalho da Karina não deixou ninguém pra baixo, não. Ao contrário, fez surgir uma grande discussão entre alguns estudantes e deu força pra enfrentar a noite. Mais tarde, a Flávia e a Noele, colegas de jornalismo da UCS, participaram comigo da oficina de escrita criativa, ministrada pela professora Marilde Sievert, da FURB. Ela reforçou algo que sempre é dito pelo professor Paulo Ribeiro, da UCS: “jornalismo não é inspiração”. Paulo vai além, aqui em Caxias, dizendo que “é transpiração”. Pobres jornalistas suados... hahaha
PS: sempre há aqueles jornalistas que, como dizem os gaúchos, “se acham”, né. Pra esses, o professor Marques de Melo disse: “a sociedade digital faz com que o jornalista desça do salto alto, pois exige que o espaço democrático seja aberto e, ainda, que o jornalista ouça a comunidade”. Tá loco, tchê!! Essa serviu pra muitos.
Blumenau, SC. Sábado, 30 de maio.
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sexta-feira, 5 de junho de 2009
quinta-feira, 21 de maio de 2009
A cegueira no Brasil
Criticar a sociedade do século 21, a partir de uma situação hipotética ocorrida num passado não muito distante. A meu ver, é disso que trata o filme Ensaio sobre a cegueira. A obra é magnífica, do ponto de vista de quem procura ali uma análise da sociedade atual.
O filme mostra a história de uma cidade que vive uma epidemia de cegueira. Os cegos são enclausurados num prédio, que não tem condições de abrigar as centenas de pessoas que foram enviadas pra lá. Não há, em nenhum momento, proteção dos governantes que se preocuparam apenas em isolar os “doentes”. No filme, a única intervenção do governo se dá com o envio de alimentos (limitados) e a segurança (ou isolamento) do local. As pessoas ficam ali esquecidas, como se fossem, além de cegos, invisíveis.
O filme leva o espectador brasileiro a lembrar a situação de segregação que acontece hoje no Rio de Janeiro*. Além disso, Ensaio sobre a Cegueira joga com sentimentos que vão além do amor e ódio: gratidão, asco e medo são apenas alguns deles. É interessante ver que na nova “moradia”, as pessoas são obrigadas a viver o coletivo. Algo difícil de se pensar hoje, quando vivemos com grande incentivo ao individualismo.
Não li a obra de Saramago, na qual o filme se inspira, mas fiquei com vontade, porque os sentimentos que o filme proporciona devem ser ainda mais aguçados com a leitura do livro. Mas, com o filme, já vale a reflexão: quem são os invisíveis de hoje no Brasil? Quem são os que ficam isolados, esquecidos, sem condição nenhuma de progredir? Quem são aqueles que sequer são ouvidos?
* "Seja na cidade do Rio, em Duque de Caxias, em Macaé etc, o discurso do choque de ordem bota abaixo sem discussão a história, a cultura, a vida das pessoas, antes que se possa argumentar com a lógica, com o bom senso. Exatamente o que fazia a ideologia do nazi-fascismo. Parece exagero, mas esse discurso – e sua prática sumária – é uma prima de primeiro grau dos linchamentos de mendigos, da queima de índios nos pontos de ônibus, das surras em prostitutas na madrugada. Tudo em nome da “ordem”, da “limpeza” das ruas, do “ordenamento”, da “organização”, da assepsia, do “bom visual”. [...]
Porque afinal de contas, essa política também é extremamente covarde: primeiro baixamos o cacete nos informais, nos malditos camelôs, nos biscateiros ilegais que atravancam o progresso do país... Depois, se der tempo, podemos desconcentrar a renda, fazer reforma agrária, prender os corruptos e fazê-los devolver o dinheiro, essas coisas. Depois. Agora não. O valente só é valente em relação ao mais fraco. Qualé, choque?..."
(trecho de texto publicado em março, no portal Overmundo)
* Sobre o assunto, ver também portal Inverta
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O filme mostra a história de uma cidade que vive uma epidemia de cegueira. Os cegos são enclausurados num prédio, que não tem condições de abrigar as centenas de pessoas que foram enviadas pra lá. Não há, em nenhum momento, proteção dos governantes que se preocuparam apenas em isolar os “doentes”. No filme, a única intervenção do governo se dá com o envio de alimentos (limitados) e a segurança (ou isolamento) do local. As pessoas ficam ali esquecidas, como se fossem, além de cegos, invisíveis.
O filme leva o espectador brasileiro a lembrar a situação de segregação que acontece hoje no Rio de Janeiro*. Além disso, Ensaio sobre a Cegueira joga com sentimentos que vão além do amor e ódio: gratidão, asco e medo são apenas alguns deles. É interessante ver que na nova “moradia”, as pessoas são obrigadas a viver o coletivo. Algo difícil de se pensar hoje, quando vivemos com grande incentivo ao individualismo.
Não li a obra de Saramago, na qual o filme se inspira, mas fiquei com vontade, porque os sentimentos que o filme proporciona devem ser ainda mais aguçados com a leitura do livro. Mas, com o filme, já vale a reflexão: quem são os invisíveis de hoje no Brasil? Quem são os que ficam isolados, esquecidos, sem condição nenhuma de progredir? Quem são aqueles que sequer são ouvidos?
* "Seja na cidade do Rio, em Duque de Caxias, em Macaé etc, o discurso do choque de ordem bota abaixo sem discussão a história, a cultura, a vida das pessoas, antes que se possa argumentar com a lógica, com o bom senso. Exatamente o que fazia a ideologia do nazi-fascismo. Parece exagero, mas esse discurso – e sua prática sumária – é uma prima de primeiro grau dos linchamentos de mendigos, da queima de índios nos pontos de ônibus, das surras em prostitutas na madrugada. Tudo em nome da “ordem”, da “limpeza” das ruas, do “ordenamento”, da “organização”, da assepsia, do “bom visual”. [...]
Porque afinal de contas, essa política também é extremamente covarde: primeiro baixamos o cacete nos informais, nos malditos camelôs, nos biscateiros ilegais que atravancam o progresso do país... Depois, se der tempo, podemos desconcentrar a renda, fazer reforma agrária, prender os corruptos e fazê-los devolver o dinheiro, essas coisas. Depois. Agora não. O valente só é valente em relação ao mais fraco. Qualé, choque?..."
(trecho de texto publicado em março, no portal Overmundo)
* Sobre o assunto, ver também portal Inverta
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quinta-feira, 16 de abril de 2009
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Um trabalho que favorece a inclusão social
A coordenadora nacional da Pastoral da Criança esteve durante alguns dias em Caxias do Sul. Irmã Vera Lúcia Altoé veio acompanhar o encontro de formação dos/as líderes de Pastoral da diocese. Além disso, conheceu os trabalhos realizados nas comunidades do município.
A presença dela serviu como estímulo para o trabalho dos mais de 800 voluntários da região. Hoje, a Pastoral da Criança atende, na Diocese de Caxias, aproximadamente 3200 famílias, totalizando mais de 4800 crianças. Os trabalhos vão desde o acompanhamento da alimentação e orientação nutricional até a oferta de cursos de formação para as mães, para que possam, elas mesmas, prover o sustento das famílias através da comercialização de produtos e serviços. Clique aqui para saber mais.
São trabalhos como esse que fazem com que se tenha mais gosto pela vida e esperança por dias melhores. Mas não basta ficar olhando e louvando a iniciativa. É preciso colaborar com mais este trabalho que resgata aqueles que são menos favorecidos social e economicamente.
A presença dela serviu como estímulo para o trabalho dos mais de 800 voluntários da região. Hoje, a Pastoral da Criança atende, na Diocese de Caxias, aproximadamente 3200 famílias, totalizando mais de 4800 crianças. Os trabalhos vão desde o acompanhamento da alimentação e orientação nutricional até a oferta de cursos de formação para as mães, para que possam, elas mesmas, prover o sustento das famílias através da comercialização de produtos e serviços. Clique aqui para saber mais.
São trabalhos como esse que fazem com que se tenha mais gosto pela vida e esperança por dias melhores. Mas não basta ficar olhando e louvando a iniciativa. É preciso colaborar com mais este trabalho que resgata aqueles que são menos favorecidos social e economicamente.
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